PR DEFENDE DIPLOMACIA COMO PRINCIPAL INSTRUMENTO PARA A PAZ MUNDIAL
23 de Setembro de 2026 às 09:05

PR DEFENDE DIPLOMACIA COMO PRINCIPAL INSTRUMENTO PARA A PAZ MUNDIAL
O Presidente da República, João Manuel Gonçalves Lourenço, defendeu, esta terça-feira, em Nova Iorque, que a diplomacia deve assumir um papel central na prevenção e resolução dos conflitos internacionais, considerando que “nenhuma arma é mais poderosa que a diplomacia”.
Ao discursar na 81.ª Sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas, o Chefe de Estado angolano manifestou preocupação com o agravamento da situação de paz e segurança internacionais e apelou ao reforço do multilateralismo e ao respeito pelo Direito Internacional.
João Lourenço considerou que o mundo atravessa um período marcado pela prevalência da força, da intimidação e da imposição de interesses unilaterais, situação que, segundo afirmou, tem contribuído para a instabilidade em diferentes regiões, incluindo a Europa, o Médio Oriente, o Golfo Pérsico e África.
Neste contexto, o Presidente da República reiterou a condenação do terrorismo e defendeu a necessidade de serem encontradas soluções pacíficas para os conflitos que afectam a comunidade internacional, destacando o papel das Nações Unidas enquanto instituição com legitimidade para promover o diálogo e a cooperação entre os Estados.
ANGOLA REAFIRMA COMPROMISSO COM A PAZ EM ÁFRICA
No domínio da paz e segurança em África, João Lourenço destacou o contributo de Angola para a prevenção e resolução de conflitos no continente, apontando iniciativas realizadas em Luanda como exemplos do compromisso do país com a promoção da paz.
O Chefe de Estado reafirmou igualmente o princípio de “soluções africanas para os conflitos em África” e apelou à implementação efectiva da Resolução 2719 do Conselho de Segurança das Nações Unidas, defendendo um financiamento previsível, adequado e sustentável das operações de apoio à paz lideradas pela União Africana.
Angola, acrescentou, continuará disponível para contribuir para a aproximação das partes em conflito e para a construção de consensos no continente.
PRESIDENTE DEFENDE REFORMA DO CONSELHO DE SEGURANÇA
João Lourenço defendeu também uma reforma profunda do Conselho de Segurança das Nações Unidas, para adequar a sua composição à actual realidade internacional.
Na sua intervenção, considerou necessária uma representação adequada de África, da América Latina e da Ásia entre os membros permanentes do órgão, com todos os poderes inerentes.
A República de Angola reafirmou, neste âmbito, o seu apoio à posição comum africana consagrada no Consenso de Ezulwini e na Declaração de Sirte.
Para o Presidente angolano, a voz de África deve ser considerada nos processos de decisão sobre paz e segurança internacionais, financiamento ao desenvolvimento, alterações climáticas e governação mundial da Inteligência Artificial.
JOÃO LOURENÇO APELA AO FIM DO EMBARGO CONTRA CUBA
Na mesma intervenção, o Presidente da República defendeu o fim do embargo contra Cuba, considerando que a medida tem contribuído para agravar as condições de vida da população cubana.
João Lourenço destacou igualmente o contributo de Cuba para a luta contra o regime do Apartheid na África do Sul e apelou à revisão da política de embargo àquele país.
ANGOLA DEFENDE REFORMA DA ARQUITECTURA FINANCEIRA INTERNACIONAL
No capítulo dedicado ao desenvolvimento, o Chefe de Estado angolano defendeu uma reforma da arquitectura financeira internacional, com o objectivo de a tornar, segundo afirmou, mais justa, equitativa e orientada para o desenvolvimento.
João Lourenço chamou a atenção para o peso do serviço da dívida sobre as economias africanas, defendendo maior acesso ao financiamento, alívio da dívida, transferência de tecnologia e maior participação dos países africanos nas instituições financeiras internacionais.
O Presidente considerou ainda que a paz e o desenvolvimento são indissociáveis e apelou ao reforço dos mecanismos de financiamento para acelerar a implementação da Agenda 2030.
ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS E INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL ENTRE AS PRIORIDADES
As alterações climáticas e a transformação digital também estiveram entre os temas abordados pelo Presidente da República.
João Lourenço defendeu mecanismos de financiamento climático previsíveis e acessíveis, tendo em conta os efeitos das secas, inundações, desertificação, insegurança alimentar e deslocações populacionais que afectam particularmente o continente africano.
Sobre a Inteligência Artificial, destacou o potencial da tecnologia para melhorar sectores como a educação, saúde, agricultura, serviços públicos e investigação científica.
Defendeu, igualmente, uma maior cooperação Norte-Sul, Sul-Sul e triangular, de modo a reduzir o fosso digital e assegurar que a transformação tecnológica contribua para a inclusão e o desenvolvimento.
ANGOLA ASSINALA 50 ANOS DE MEMBRO DAS NAÇÕES UNIDAS
A participação de Angola na 81.ª Assembleia Geral das Nações Unidas acontece no ano em que o país assinala o 50.º aniversário da sua admissão como membro de pleno direito da Organização das Nações Unidas, em Dezembro de 1976.
João Lourenço recordou o percurso de Angola desde a Independência Nacional até ao alcance da paz, em 2002, sublinhando que a experiência do conflito contribuiu para moldar a política externa angolana e o compromisso do país com a paz, a reconciliação e o diálogo.
O Presidente anunciou ainda a inauguração, em Outubro, em Luanda, de um monumento em memória das vítimas dos conflitos políticos ocorridos em Angola desde a proclamação da Independência Nacional até ao alcance da paz.
Ao concluir a sua intervenção, João Lourenço reafirmou o compromisso de Angola com as Nações Unidas e com o multilateralismo, defendendo que o diálogo deve prevalecer sobre a confrontação e o Direito sobre a força.
“Nenhuma arma é mais poderosa que a diplomacia”, afirmou o Presidente da República, para quem a diplomacia constitui o instrumento capaz de “unir, reparar, construir e salvar vidas, povos, nações e a Humanidade”.

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